Esquecimento: uma preocupação que muita gente guarda em silêncio
Você entra na cozinha e não lembra o que foi buscar. Encontra um conhecido na rua e o nome some na hora. Lê um parágrafo inteiro e percebe que não guardou nada.
Quase todo mundo já passou por isso. Mesmo assim, quando acontece com frequência, vem a dúvida: "será que é normal?". E, para quem tem mais de 60 anos ou convive com um familiar idoso, a pergunta costuma vir junto com um medo silencioso.
A boa notícia é que a maior parte dos esquecimentos do dia a dia tem explicações simples. E, quando existe algo a investigar, muitas das causas podem ser tratadas.
Quando o esquecimento faz parte da rotina
A memória não funciona como uma gravação perfeita. Ela depende da atenção: se a informação não foi bem registrada, ela não tem como ser lembrada depois.
Por isso, alguns esquecimentos são esperados, em qualquer idade:
- esquecer onde deixou objetos quando estava fazendo várias coisas ao mesmo tempo;
- demorar para lembrar um nome, que aparece minutos depois;
- esquecer um compromisso que não foi anotado;
- perder o fio da conversa quando está cansada(o) ou preocupada(o).
Com o envelhecimento, também é comum que o raciocínio fique um pouco mais lento e que seja preciso mais tempo para aprender coisas novas. Isso, por si só, não significa um problema de memória.
Uma forma simples de pensar: no esquecimento do dia a dia, a informação costuma voltar com uma pista ("ah, lembrei, era a Ana!"). E a pessoa continua dando conta da própria rotina, mesmo que precise de anotações, alarmes ou listas. Usar essas ferramentas não é sinal de fraqueza. É uma estratégia inteligente.
E em adultos mais jovens?
Adultos de 20, 30 ou 40 anos também procuram ajuda por causa do esquecimento. Muitas vezes, a queixa aparece em fases de sobrecarga: trabalho intenso, filhos pequenos, mudanças de cidade ou de país, noites mal dormidas. Nesses casos, a memória funciona como um termômetro do quanto a mente está exigida.
Causas comuns de esquecimento (muitas delas tratáveis)
Antes de pensar no pior, vale lembrar que a memória é sensível a muitos fatores. Alguns dos mais frequentes:
- Sono ruim: dormir pouco ou mal afeta diretamente a atenção e a memória.
- Estresse e sobrecarga: quando a mente está ocupada com muitas preocupações, sobra pouco espaço para registrar o resto.
- Ansiedade e depressão: podem causar queixas importantes de memória e concentração, em adultos e em idosos.
- Questões de saúde física: alterações hormonais, deficiências de vitaminas e outras condições clínicas que o médico pode investigar com exames.
- Medicamentos: alguns remédios podem interferir na atenção e na memória. Nunca suspenda por conta própria; converse com quem prescreveu.
- Perda auditiva ou visual: quando a pessoa não ouve ou não enxerga bem, ela registra menos informação, e isso pode parecer esquecimento.
- Dificuldades de atenção de longa data: em adultos, queixas de esquecimento às vezes têm relação com o TDAH, que pode passar despercebido por muitos anos.
Quando se preocupar com o esquecimento
Alguns sinais justificam buscar uma avaliação, principalmente quando são novos, estão aumentando ou foram notados por outras pessoas:
- repetir a mesma pergunta ou a mesma história várias vezes, em pouco tempo;
- esquecer conversas ou acontecimentos recentes por completo, e não só detalhes;
- se perder em caminhos conhecidos;
- ter dificuldade nova com tarefas que antes eram simples, como pagar contas, organizar remédios ou seguir uma receita;
- mudanças de comportamento, de humor ou de interesse que chamam a atenção da família;
- o esquecimento começa a atrapalhar o trabalho, a independência ou a segurança.
Para o familiar que está preocupado: tente conversar com respeito, sem tom de cobrança. Falar em "cuidar da memória" costuma ser mais acolhedor do que apontar erros.
Um primeiro passo que ajuda
Antes da consulta, vale anotar por algumas semanas o que tem acontecido: que tipo de esquecimento, em que situações, desde quando e se algo mudou na rotina, no sono, no humor ou nos remédios nesse período. Essas anotações ajudam muito na primeira conversa com o médico e com a psicóloga.
Também é útil levar os exames recentes e a lista de medicamentos em uso. Assim, a investigação começa com mais informação e menos suposições.
Como a avaliação neuropsicológica pode ajudar
A avaliação neuropsicológica investiga a memória e outras funções, como atenção, linguagem, raciocínio e planejamento, junto com aspectos emocionais. Ela ajuda a entender se o que você percebe está dentro do esperado para a sua idade e história, ou se há alterações que merecem acompanhamento.
Ela também é útil para diferenciar situações que podem parecer parecidas, como esquecimento ligado à ansiedade ou à depressão e alterações cognitivas de outra natureza. Os resultados são reunidos no laudo neuropsicológico e explicados em uma sessão devolutiva.
Quando a avaliação é feita mais cedo, ela ainda serve como um ponto de partida. Se for preciso acompanhar ao longo do tempo, existe uma referência para comparar. Saiba mais sobre a avaliação neuropsicológica em idosos.
Avaliação da memória online, de onde você estiver
A Monica Sarah Salomon é psicóloga pós-graduada em Neuropsicologia e atende adultos e idosos 100% online, em português. Isso facilita para quem tem dificuldade de deslocamento e para famílias que moram em cidades ou países diferentes.
Familiares e cuidadores podem participar de partes do processo, quando isso faz sentido, sempre com o consentimento da pessoa avaliada. Se você quer entender melhor como funciona, conheça as informações sobre o agendamento.
