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Memória

Avaliação neuropsicológica em idosos: quando procurar e como funciona

Nem todo esquecimento é motivo de alarme, mas algumas mudanças merecem atenção. Um guia para idosos e familiares.

Envelhecer muda a cognição, e isso é esperado

Com o envelhecimento, é comum que algumas funções fiquem mais lentas: demorar um pouco mais para lembrar um nome, precisar de mais tempo para aprender algo novo ou se distrair com mais facilidade. Essas mudanças fazem parte do envelhecimento típico e, em geral, não impedem a pessoa de manter a autonomia.

A dúvida surge quando as mudanças parecem maiores do que o esperado, aparecem de forma progressiva ou começam a atrapalhar o dia a dia.

Quando vale procurar uma avaliação

  • esquecimentos frequentes de fatos recentes, conversas ou compromissos;
  • repetir as mesmas perguntas ou histórias em pouco tempo;
  • dificuldade nova para lidar com dinheiro, remédios ou tarefas que antes eram simples;
  • desorientação em lugares conhecidos;
  • mudanças de humor, comportamento ou interesse que chamam a atenção da família;
  • pedido do médico para investigar a cognição.
Sem alarmismoEsses sinais têm muitas causas possíveis, inclusive tratáveis, como alterações de humor, problemas de sono, efeitos de medicamentos ou outras condições clínicas. A avaliação existe justamente para entender o que está acontecendo.

Como a avaliação neuropsicológica ajuda

A avaliação investiga, de forma estruturada, memória, atenção, linguagem, funções executivas e outras habilidades, além de aspectos emocionais. Com isso, ela pode:

  • diferenciar mudanças do envelhecimento típico de alterações que merecem acompanhamento;
  • contribuir, junto ao médico, para a investigação de transtornos neurocognitivos;
  • identificar se questões emocionais, como alterações do humor, estão impactando a cognição;
  • registrar um ponto de partida para comparações futuras;
  • orientar a família sobre como apoiar a pessoa no dia a dia, preservando a autonomia.

Como a família pode participar

É muito comum que filhos, cônjuges ou cuidadores sejam os primeiros a notar mudanças e a buscar ajuda. A família pode fazer o contato inicial, contribuir com informações na anamnese e participar da devolutiva, sempre respeitando a autonomia e a dignidade da pessoa avaliada.

Avaliação online para idosos funciona?

Pode funcionar muito bem, especialmente para quem tem dificuldade de deslocamento. Em geral, recomenda-se que um familiar ajude na preparação: deixar o computador pronto, testar som e câmera, e garantir um ambiente silencioso. Durante as sessões, a pessoa idosa participa sozinha, para que a avaliação reflita o seu desempenho. Os detalhes são combinados na primeira consulta.

Perguntas frequentes

Esquecer as coisas com frequência é sinal de demência?
Não necessariamente. Esquecimentos podem ter muitas causas, como estresse, alterações do humor, problemas de sono e efeitos de medicamentos. Só uma avaliação cuidadosa permite entender o que está acontecendo.
Meu pai não quer fazer a avaliação. O que fazer?
É importante respeitar a autonomia e conversar com calma, explicando que o objetivo é entender e cuidar, não rotular. Às vezes, ouvir a recomendação do médico de confiança ajuda.
Preciso de pedido médico para avaliar um idoso?
Não necessariamente, mas o acompanhamento médico é fundamental na investigação de queixas de memória. A avaliação neuropsicológica e a avaliação médica se complementam.
Monica Sarah Salomon

Monica Sarah Salomon

Psicóloga (CRP 12/13557) desde 2015, pós-graduada em Neuropsicologia e em Transtorno do Espectro Autista, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Realiza avaliação neuropsicológica e psicoterapia para adultos, 100% online.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Reconhecer-se em algum ponto do texto não significa ter um diagnóstico.

Referências
  • American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022), capítulo de transtornos neurocognitivos.
  • Organização Mundial da Saúde. CID-11.
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