Pular para o conteúdo
Memória

Prevenir a demência: 14 fatores de risco que podem ser cuidados ao longo da vida

Nem tudo sobre a saúde do cérebro está fora do nosso alcance. A ciência aponta caminhos concretos, em qualquer fase da vida.

Dá para prevenir a demência? O que a ciência diz

Muita gente acompanha um pai, uma mãe ou um avô com perda de memória e, em algum momento, se pergunta: "isso vai acontecer comigo também?".

É uma preocupação legítima. E existe uma resposta que traz esperança, sem prometer o que não pode ser prometido: parte do risco de demência está ligada a fatores que podemos cuidar.

Em julho de 2024, a Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidado da demência (Livingston e colaboradores, publicada na revista The Lancet) atualizou a sua lista de fatores de risco modificáveis. Agora são 14 fatores, que juntos podem estar ligados a até 45% dos casos de demência.

Os 14 fatores de risco para demência

Segundo a Comissão Lancet 2024, estes são os fatores de risco modificáveis:

  1. baixa escolaridade;
  2. perda auditiva;
  3. hipertensão (pressão alta);
  4. tabagismo;
  5. obesidade;
  6. depressão;
  7. sedentarismo;
  8. diabetes;
  9. consumo excessivo de álcool;
  10. traumatismo craniano;
  11. poluição do ar;
  12. isolamento social;
  13. colesterol LDL alto na meia-idade (incluído em 2024);
  14. perda de visão não tratada (incluída em 2024).

Repare que vários deles não são "do cérebro" à primeira vista. Pressão, colesterol, diabetes, audição e visão também fazem parte da saúde cerebral. Cuidar do corpo é cuidar da mente.

Fatores que aparecem em diferentes fases da vida

A Comissão Lancet olha para esses fatores ao longo de toda a vida. A escolaridade se relaciona com a infância e a juventude. Pressão alta, colesterol, diabetes, obesidade, audição, consumo de álcool e cigarro ganham peso na vida adulta e na meia-idade. O isolamento social e a perda de visão ficam especialmente relevantes na velhice.

Isso traz uma mensagem importante: não existe uma idade certa para começar. Quem tem 30 anos pode cuidar da pressão e da audição. Quem tem 75 pode cuidar dos vínculos, da visão e da atividade física. Cada fase tem o seu espaço de cuidado.

O que significa "até 45%" (e o que não significa)

Esse número é importante, mas precisa ser lido com cuidado.

Ele é uma estimativa populacional. Quer dizer que, se esses fatores fossem eliminados em toda a população, uma parte expressiva dos casos poderia ser evitada ou adiada. Ele não é uma promessa individual de que, cuidando de tudo, uma pessoa específica não terá demência.

Também significa que a outra parte do risco está ligada a fatores que não controlamos, como idade e genética. Por isso, ninguém deve se culpar, nem culpar um familiar, por um diagnóstico.

Outro ponto: muitos desses fatores dependem de condições que não são só individuais. Acesso a escola, a consultas, a aparelho auditivo, a óculos, a espaços para atividade física e até a qualidade do ar da cidade onde a pessoa vive. Por isso, a prevenção da demência é também um tema de saúde pública, e não apenas de força de vontade.

Esperança realistaVocê não controla tudo, mas pode fazer escolhas que favorecem o seu cérebro. Cada fator cuidado conta, e nunca é tarde para começar.

Como cuidar do cérebro na prática

Não é preciso transformar a vida de uma vez. Pequenas mudanças, mantidas com constância, são mais realistas. Algumas ideias ligadas aos fatores da lista:

Cuide da audição e da visão

Faça avaliações com otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e oftalmologista. Se houver indicação de aparelho auditivo ou óculos, use. Ouvir e enxergar bem mantém você conectada(o) com as pessoas e com o mundo.

Acompanhe pressão, glicose e colesterol

Consultas e exames regulares, seguindo as orientações do seu médico, ajudam a manter esses fatores sob controle.

Movimente-se

Escolha uma atividade física que caiba na sua rotina e que você goste, com orientação profissional quando necessário. Caminhar, dançar, nadar ou fazer hidroginástica são exemplos. O melhor exercício costuma ser aquele que você consegue manter.

Mantenha vínculos

Conversar, participar de grupos, encontrar amigos e familiares. O contato social é um estímulo importante para o cérebro. Para quem mora longe da família, inclusive no exterior, chamadas de vídeo frequentes e atividades em grupo na própria cidade ajudam a manter essa rede viva.

Continue aprendendo

A escolaridade aparece na lista, e aprender coisas novas ao longo da vida, como um idioma, um instrumento ou um curso, também é uma forma de manter a mente ativa.

Cuide da saúde emocional

A depressão está entre os fatores de risco. Buscar ajuda quando o humor muda é também uma forma de cuidar do cérebro. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens que pode ajudar.

Proteja a cabeça e reduza álcool e cigarro

Use capacete e cinto de segurança, previna quedas em casa e, se fumar ou beber em excesso, procure apoio para mudar esses hábitos.

Onde entra a avaliação neuropsicológica

Prevenção também envolve acompanhar. Quando surgem queixas de memória, atenção ou organização, a avaliação neuropsicológica ajuda a entender o que está acontecendo e se há causas que podem ser tratadas.

Nem todo esquecimento é motivo de preocupação. Para entender a diferença, leia esquecimento: quando é normal e quando se preocupar.

Quando há indicação, a avaliação também cria uma referência do funcionamento cognitivo daquele momento, útil para comparações futuras e para orientar a família e outros profissionais de saúde. Saiba mais sobre a avaliação neuropsicológica em idosos.

Cuidado com o cérebro, de onde você estiver

A Monica Sarah Salomon é psicóloga pós-graduada em Neuropsicologia e atende adultos e idosos 100% online, em português, no Brasil ou em qualquer país. O formato online facilita para quem tem dificuldade de deslocamento e para famílias que vivem longe umas das outras.

Se você ou alguém da sua família tem notado mudanças na memória, conheça como funciona o agendamento e tire suas dúvidas na primeira consulta.

Perguntas frequentes

Quais são os 14 fatores de risco para demência?
Segundo a Comissão Lancet 2024: baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, tabagismo, obesidade, depressão, sedentarismo, diabetes, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, isolamento social, LDL alto na meia-idade e perda de visão não tratada.
É possível prevenir a demência?
Não há garantia individual, mas a Comissão Lancet estima que até 45% dos casos, no nível da população, podem estar ligados a fatores modificáveis. Cuidar desses fatores pode reduzir o risco.
Perda auditiva aumenta o risco de demência?
A perda auditiva está entre os fatores de risco modificáveis apontados pela Comissão Lancet. Avaliar a audição e usar aparelho auditivo quando indicado é uma forma de cuidado.
Nunca é tarde para cuidar do cérebro?
Os fatores de risco aparecem em diferentes fases da vida, e muitos deles podem ser cuidados em qualquer idade, como pressão, audição, visão, atividade física e vínculos sociais.
Monica Sarah Salomon

Monica Sarah Salomon

Psicóloga (CRP 12/13557) desde 2015, pós-graduada em Neuropsicologia e em Transtorno do Espectro Autista, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Realiza avaliação neuropsicológica e psicoterapia para adultos, 100% online.

Se fez sentido para você

Atendimento 100% online e em português, de qualquer cidade ou país. Veja como funciona e agende sua primeira consulta, ou tire suas dúvidas pelo WhatsApp.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Reconhecer-se em algum ponto do texto não significa ter um diagnóstico.

Referências
  • Livingston G et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 31 de julho de 2024.
Agendar consulta Fale comigo no WhatsApp