TDAH não é só coisa de criança
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento, ou seja, começa na infância. Mas muitas pessoas só buscam investigação na vida adulta, quando as demandas de trabalho, estudos, finanças e vida doméstica aumentam e as estratégias que funcionavam antes deixam de dar conta.
No adulto, a hiperatividade costuma aparecer menos como "correr e pular" e mais como inquietação interna, dificuldade de relaxar ou necessidade de estar sempre fazendo algo.
Quando vale buscar uma avaliação
Todo mundo se distrai às vezes. O que leva à investigação é quando as dificuldades são persistentes, aparecem em mais de um contexto (como trabalho e casa) e trazem prejuízo real para a vida. Relatos comuns incluem:
- dificuldade de manter o foco em tarefas longas ou pouco estimulantes;
- começar muitas coisas e concluir poucas;
- atrasos frequentes e dificuldade de calcular o tempo;
- esquecer compromissos, objetos e prazos;
- impulsividade em decisões, falas ou gastos;
- sensação de estar sempre "atrás" do que deveria.
Como é feita a avaliação de TDAH em adultos
O diagnóstico do TDAH é clínico. Segundo o DSM-5-TR, os sintomas precisam estar presentes desde antes dos 12 anos, ocorrer em dois ou mais contextos e interferir no funcionamento. Por isso, a avaliação olha para o presente e também para a história.
A avaliação neuropsicológica contribui ao investigar de forma estruturada:
- atenção (sustentada, seletiva e dividida);
- funções executivas, como planejamento, organização, controle inibitório e flexibilidade;
- memória de trabalho;
- aspectos emocionais e comportamentais que podem estar envolvidos.
Ela também mostra os pontos fortes da pessoa, o que ajuda a pensar estratégias que funcionem na prática.
TDAH e autismo podem acontecer juntos?
Sim. O DSM-5-TR permite o diagnóstico de TEA e TDAH na mesma pessoa, e essa combinação é investigada com frequência em adultos. Se você se identifica com aspectos dos dois, a avaliação considera ambas as hipóteses. Leia também sobre a avaliação de autismo em adultos.
Depois da avaliação
O laudo neuropsicológico e a sessão devolutiva ajudam a orientar os próximos passos, que podem incluir acompanhamento médico, psicoterapia com estratégias práticas para o dia a dia (como na TCC) e adaptações na rotina de estudo e trabalho.
