Pular para o conteúdo
TEA

Autismo em idosos: é possível identificar o TEA depois dos 60?

Ele sempre foi do jeito dele. Só agora, depois de tantas décadas, alguém começou a perguntar por quê.

Autismo em idosos: uma pergunta cada vez mais comum

Às vezes a pergunta nasce em casa. Um neto recebe o diagnóstico, a família começa a ler sobre o assunto e alguém comenta: "isso parece muito com o vovô". Outras vezes, a própria pessoa, aos 65 ou 70 anos, lê algo e sente que finalmente encontrou uma explicação.

O autismo em idosos não é um tema novo na ciência, mas ainda é pouco falado. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) está presente desde o início do desenvolvimento e acompanha a pessoa por toda a vida. Muitas pessoas que hoje têm mais de 60 anos simplesmente nunca tiveram a oportunidade de ser avaliadas.

É possível diagnosticar autismo depois dos 60?

Sim, é possível investigar e identificar o TEA em qualquer idade. O DSM-5-TR reconhece que as características podem ficar mascaradas por estratégias aprendidas ao longo da vida, e essas estratégias, em quem tem 60 anos ou mais, foram construídas durante décadas.

O subdiagnóstico entre pessoas mais velhas é real. Um estudo da UCL publicado em 2023 na The Lancet Regional Health – Europe estimou que, na Inglaterra, entre 250 mil e 600 mil autistas acima de 50 anos podem não ter diagnóstico. Os autores observaram que a diferença é muito maior entre os mais velhos do que entre os mais jovens.

No Brasil, o Censo 2022 do IBGE contou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, com maior percentual entre crianças. Esses números refletem diagnósticos já feitos, e quem cresceu quando o tema era pouco conhecido tende a ter menos diagnóstico. Para outras faixas de idade, veja diagnóstico de autismo depois dos 40.

Como identificar autismo em idosos

Não existe uma lista que identifique o autismo em alguém. O que pode justificar buscar uma avaliação é perceber um padrão que sempre existiu, e não algo que surgiu agora. Alguns pontos que a família ou a própria pessoa costumam relatar:

  • preferência antiga por rotinas muito fixas e desconforto com mudanças;
  • interesses intensos e duradouros, às vezes por décadas;
  • jeito de se relacionar descrito como reservado, direto ou "diferente" desde a juventude;
  • incômodo com barulho, multidões, luzes ou texturas ao longo da vida;
  • sensação, relatada pela própria pessoa, de nunca ter se encaixado bem.

Esses pontos, sozinhos, não indicam autismo. Eles podem fazer parte da personalidade e de muitas outras histórias. Só uma avaliação cuidadosa consegue concluir.

A palavra-chave é "sempre"No autismo, as características acompanham a pessoa desde cedo. Mudanças que aparecem pela primeira vez na velhice, como esquecimentos novos, confusão ou mudança de comportamento, pedem outro tipo de investigação.

Autismo ou quadro neurocognitivo? A importância do diagnóstico diferencial

Com a idade, é natural que surjam dúvidas sobre memória e cognição. E alguns comportamentos podem ser confundidos. Isolamento social, rigidez e dificuldade de adaptação, por exemplo, podem ter explicações muito diferentes.

Por isso, a avaliação de uma pessoa idosa olha para duas perguntas ao mesmo tempo:

  • Isso existe desde sempre? A história de vida ajuda a entender se há um padrão do espectro.
  • Algo mudou recentemente? Um declínio novo pode estar ligado a um transtorno neurocognitivo, a alterações de humor ou a outras condições de saúde.

Uma coisa não exclui a outra: uma pessoa autista também pode, como qualquer pessoa, ter alterações cognitivas com o envelhecimento. A avaliação neuropsicológica ajuda a separar esses caminhos com calma, sem conclusões apressadas.

Se a dúvida principal é sobre memória, estes textos podem ajudar: esquecimento: quando se preocupar e comprometimento cognitivo leve.

O papel da família na avaliação de autismo em idosos

Muitas vezes, quem procura a avaliação é um filho, uma filha ou o cônjuge. A família pode ajudar bastante, por exemplo contando como a pessoa era na juventude, como lidava com mudanças e como se relacionava.

Ao mesmo tempo, é importante que a pessoa idosa seja protagonista. Ela precisa concordar com a avaliação, entender o que vai acontecer e ser ouvida com respeito. Ninguém gosta de ser avaliado "por trás", e isso vale em qualquer idade.

Como puxar o assunto com respeito

Se você é filho, filha ou cônjuge e quer sugerir uma avaliação, algumas atitudes ajudam:

  • fale do que você observa com carinho, sem tom de acusação ou de diagnóstico pronto;
  • apresente a avaliação como uma forma de entender melhor, e não de "descobrir um problema";
  • respeite o tempo da pessoa, que pode precisar pensar antes de decidir;
  • ofereça ajuda prática, como organizar os horários ou preparar o computador para as sessões online.

Faz sentido investigar nessa fase da vida?

Muitas pessoas se perguntam se vale a pena, depois de tantos anos. Para quem recebe o diagnóstico, ele pode trazer alívio e ressignificar a própria história: entender por que certas situações sempre foram tão cansativas. Para a família, pode melhorar a convivência e ajudar a adaptar a rotina e o ambiente de casa. Tudo isso sem rótulo e sem piedade, apenas com mais compreensão.

Avaliação de autismo em idosos, online e em português

Sou psicóloga, pós-graduada em Neuropsicologia e em TEA, e atendo adultos e idosos. A avaliação geralmente tem de 6 a 10 sessões de cerca de 50 minutos, com entrevistas, observação clínica, instrumentos específicos, laudo e devolutiva.

Com pessoas idosas, o ritmo é respeitado: pausas quando necessário, explicações claras sobre cada etapa e espaço para perguntas. A ideia é que a avaliação seja um momento de cuidado, e não uma prova.

O atendimento é 100% online, em português, no conforto de casa. Um familiar pode ajudar com a parte técnica, se for preciso. Veja como funciona em avaliação neuropsicológica em idosos.

Se fez sentido para você ou para alguém da sua família, as informações para agendar estão nesta página.

Perguntas frequentes

É possível diagnosticar autismo depois dos 60 anos?
Sim. O TEA está presente desde o início do desenvolvimento e pode ser investigado em qualquer idade. Muitas pessoas idosas nunca tiveram oportunidade de ser avaliadas.
Como identificar autismo em idosos?
O que justifica uma avaliação é um padrão que acompanha a pessoa desde sempre, como rotinas rígidas, interesses intensos e jeito particular de se relacionar. Só uma avaliação profissional pode concluir.
Autismo pode ser confundido com demência?
Alguns comportamentos podem parecer semelhantes, mas no autismo as características existem desde cedo, enquanto um declínio novo pede outra investigação. A avaliação neuropsicológica ajuda a diferenciar.
A família pode participar da avaliação?
Sim. Familiares podem contribuir com informações sobre a história da pessoa, sempre com a concordância e o protagonismo da pessoa idosa.
Monica Sarah Salomon

Monica Sarah Salomon

Psicóloga (CRP 12/13557) desde 2015, pós-graduada em Neuropsicologia e em Transtorno do Espectro Autista, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Realiza avaliação neuropsicológica e psicoterapia para adultos, 100% online.

Se fez sentido para você

Atendimento 100% online e em português, de qualquer cidade ou país. Veja como funciona e agende sua primeira consulta, ou tire suas dúvidas pelo WhatsApp.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Reconhecer-se em algum ponto do texto não significa ter um diagnóstico.

Referências
  • O'Nions, E. et al. (2023). Autism in England: assessing underdiagnosis in a population-based cohort study of prospectively collected primary care data. The Lancet Regional Health – Europe.
  • IBGE. Censo Demográfico 2022: pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista. Divulgação de 23/05/2025.
  • American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª ed., texto revisado (2022).
Agendar consulta Fale comigo no WhatsApp