TDAH em adultos: quando a dificuldade não ficou na infância
Você está num jantar com amigos e percebe que perdeu metade da conversa. Quando chega a sua vez de falar, interrompe alguém sem querer. Em casa, encontra uma conta vencida embaixo da pilha de papéis que prometeu organizar no fim de semana passado.
Situações assim acontecem com todo mundo de vez em quando. Mas, para algumas pessoas, elas são a regra, e não a exceção. É aí que surge a dúvida sobre o TDAH em adultos.
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento. Isso quer dizer que ele começa cedo, ainda na infância, mas pode continuar presente na vida adulta. Ele está descrito no DSM-5-TR, da Associação Americana de Psiquiatria, e na CID-11, a classificação internacional da Organização Mundial da Saúde (código 6A05).
Este texto é um ponto de partida. Ao longo dele, você encontra links para conteúdos que aprofundam cada parte do tema.
O que significa TDAH (e o que ele não significa)
TDAH não é preguiça, falta de caráter ou falta de inteligência. Também não é "ser um pouco distraído", algo que qualquer pessoa experimenta em dias cansativos.
O que caracteriza o TDAH, segundo o DSM-5-TR, é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade que:
- começou antes dos 12 anos, mesmo que só tenha sido percebido muito depois;
- aparece em dois ou mais contextos, como trabalho, casa, estudos e relacionamentos;
- traz prejuízo real ao funcionamento do dia a dia.
Esses três pontos ajudam a entender por que um momento difícil, uma fase de estresse ou uma noite mal dormida não bastam para falar em TDAH. A pergunta central é sempre: isso acompanha você ao longo da vida e atrapalha de verdade?
TDAH sintomas em adultos: como aparece no dia a dia
O DSM-5-TR descreve três formas de apresentação do TDAH. No adulto, elas costumam ganhar uma cara diferente da imagem clássica da criança agitada.
Apresentação predominantemente desatenta
É o chamado déficit de atenção adulto. A pessoa pode ter dificuldade para manter o foco em tarefas longas ou pouco estimulantes, perder prazos, esquecer compromissos, adiar o que exige esforço mental e se sentir desorganizada. Muitas vezes, quem convive acha que ela "está no mundo da lua".
Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva
A hiperatividade em adultos raramente é correr e pular. Ela aparece mais como inquietação interna, dificuldade de relaxar, necessidade de estar sempre fazendo algo, falar muito ou terminar a frase dos outros. A impulsividade pode surgir em decisões apressadas, compras por impulso ou respostas que saem antes de pensar.
Apresentação combinada
Quando há características importantes dos dois grupos. A forma como o TDAH se apresenta pode mudar ao longo da vida, por isso a avaliação olha para a história inteira, e não só para o momento atual.
Quantos adultos têm TDAH? O que diz a pesquisa
O TDAH não é raro na vida adulta. Uma meta-análise global de Song e colaboradores, publicada em 2021 no Journal of Global Health, trouxe duas estimativas diferentes:
- 2,58% dos adultos teriam TDAH persistente, ou seja, com início na infância e que continua na vida adulta. Isso corresponderia a cerca de 140 milhões de adultos no mundo em 2020;
- 6,76% dos adultos apresentariam TDAH sintomático, isto é, sintomas relevantes na vida adulta, independentemente de haver confirmação do início na infância. Isso equivaleria a cerca de 366 milhões de adultos.
A diferença entre os dois números mostra algo importante: ter sintomas de desatenção ou inquietação não é o mesmo que preencher todos os critérios para o diagnóstico. É justamente esse espaço que a avaliação ajuda a esclarecer.
Quando investigar TDAH adulto
Algumas situações costumam levar adultos a buscar uma investigação. Elas não servem para se autodiagnosticar, mas indicam que vale conversar com uma profissional:
- dificuldades de atenção, organização ou impulsividade que você reconhece desde a infância ou a adolescência;
- impacto persistente no trabalho, nos estudos, nas finanças ou nos relacionamentos;
- a sensação de precisar de um esforço enorme para fazer o que parece simples para os outros;
- anos tratando ansiedade ou depressão sem uma compreensão que pareça completa;
- alguém da família recebeu o diagnóstico e você se reconheceu na história.
Também é comum que a dúvida venha misturada com outras: será que é ansiedade? Será autismo? As duas coisas? Se esse é o seu caso, vale ler TDAH ou ansiedade e autismo e TDAH juntos. E, se a sua queixa principal é concentração, veja falta de atenção e concentração: é sempre TDAH?.
Guia: por onde continuar lendo sobre TDAH em adultos
Organizamos os principais conteúdos sobre o tema para você seguir no seu ritmo:
- Vi um questionário na internet: teste de TDAH adulto e a ASRS-18;
- Quero entender o diagnóstico: diagnóstico de TDAH em adultos e como é a avaliação de TDAH;
- Sou mulher e a dúvida chegou tarde: TDAH em mulheres adultas;
- A dificuldade aparece mais no trabalho: TDAH no trabalho;
- Consigo focar horas no que gosto: hiperfoco;
- E depois do diagnóstico? TDAH tem cura? e tratamento de TDAH adulto com TCC.
A Monica Sarah Salomon é psicóloga (CRP 12/13557), pós-graduada em Neuropsicologia e em TEA, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Ela realiza avaliação neuropsicológica de adultos e idosos 100% online, em português, para quem vive em qualquer cidade do Brasil ou no exterior.
Se fez sentido para você, veja como funciona o agendamento. A primeira conversa serve justamente para entender a sua história com calma.
