Por que o autismo em mulheres é identificado mais tarde
Durante muito tempo, a descrição do autismo foi construída a partir de meninos e homens. Características que aparecem de forma diferente em meninas e mulheres acabaram ficando fora do "retrato" mais conhecido do espectro.
Além disso, muitas mulheres desenvolvem cedo estratégias para se adaptar socialmente. Elas observam, imitam e se esforçam para parecer à vontade, o que torna as características menos visíveis para quem está de fora, e às vezes até para elas mesmas.
O que é mascaramento (masking)
Mascaramento é o esforço, consciente ou não, de esconder ou compensar características autistas para se encaixar. Pode incluir:
- forçar o contato visual, mesmo quando ele é desconfortável;
- ensaiar conversas e ter frases "prontas" para situações sociais;
- copiar gestos, expressões e jeitos de falar de outras pessoas;
- conter movimentos repetitivos que ajudam a regular o corpo;
- suportar ambientes barulhentos ou cheios sem demonstrar incômodo.
O mascaramento pode funcionar por fora, mas costuma ter um custo alto por dentro: cansaço profundo, sensação de estar sempre "atuando" e, em alguns casos, esgotamento.
Como isso aparece na vida adulta
Muitas mulheres chegam à avaliação depois de anos tratando apenas a ansiedade, a exaustão ou dificuldades nos relacionamentos, sem que o quadro completo tivesse sido investigado. Outras começam a se perguntar sobre o espectro após o diagnóstico de um filho, de um familiar ou ao se reconhecerem em relatos de outras mulheres.
Como é a avaliação
A avaliação considera a história de vida com atenção especial às estratégias de adaptação que a pessoa desenvolveu. Ela inclui entrevista detalhada, observação clínica, instrumentos específicos e investigação de outras funções cognitivas e emocionais. Saiba mais em como funciona a avaliação de autismo em adultos.
O atendimento online pode ser um facilitador: muitas pessoas no espectro se sentem mais à vontade em um ambiente conhecido, sem deslocamento e com menos estímulos sensoriais.
